sábado, 15 de julho de 2017






 SOLITÁRIO SER

Já consolei o céu
Dos pecados da terra.
Fui Cristo e,
Vislumbrei a solidão.
Senti a pequenez do ser,
Aprisionado na vastidão,
Desorientado na imensidão,
Perdido num diminuto astro,
Procurando o caminho,
Prisioneiro do destino,
Dominando as estrelas,
Viajando nas lonjuras galácticas,
Em vão, solitário, pecador.
Afrontando demônios, então,
Roguei a Deus pelos homens.
Chorei.
Preguei meu corpo
Na cruz da vida
E o caminho do Calvário
Já percorri,
Não com a indolência do homem,
Mas sim com o vigor do Deus,
O mesmo dos Judeus,
O meu Deus.
Meus pés sangraram.
Meus ombros doeram.
Todos os meus músculos sentiram,
Os pregos que me cravaram
Os deveres terrenos
Por eu sonhar ser Deus também.
Agora, olho minhas chagas,
Penetro-me um olhar divino
Que aos poucos se esvai
E me devolvo ao mundo
Caindo da cruz,
Vejo-me a blasfemar,
Limpo das chagas,
De corpo são.
As dores, já não as sinto.
Sou homem, deveras.
Nunca serei Deus,
Nem talvez.
Ao universo me volto contemplativo,
Vislumbrando no firmamento,
Das estrelas, a solidão.


AUTOR: Edison Rodrigues Paulino -15/07/2017

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