quarta-feira, 7 de junho de 2017

OS OLHOS TERRÍVEIS E HORRIPILANTES DA NOITE ( e o nefasto confronto)



Na noite do dia 25 de fevereiro, O agente da polícia civil, Ribamar Pastolo, depois de passar o dia em perseguição a uma quadrilha que assaltara a agência da Caixa Econômica, localizada dentro do Shopping Monumental, no final da madrugada, deste mesmo dia, no bairro do Renascença em São Luís, passara boa parte da noite em campana, juntamente com vários outros agentes e policiais militares, esperando que os meliantes saíssem do mangue onde se esconderam desde o final da tarde, sem muito sucesso, voltava enfim para casa, para um devido descanso.
Ele voltava para casa, exausto, uma vez que fora substituído por outro agente, descansado, e como sempre fazia, deu primeiro uma volta completa no quarteirão do conjunto residencial onde morava, buzinou de leve para o vigia, o Edgar, que parecia cochilar num canto do começo da rua.
Quando chegou no final da rua, antes de retornar, pela rua lateral, avistou pelo retrovisor um vulto passando pelo vigia, que mais parecia com uma mulher, apressada por causa do avançado da hora.
Deu a vota, circundando pela rua paralela à sua, chegando de novo próximo ao local onde avistara o vigia cochilando, mais à frente avistou-o, ou parecia ele, seguindo a mulher que ia mais à frente. Não se preocupou muito, por que esta era a função dele, proteger as pessoas, além de vigiar as casas.
Parou então em frente ao portão de casa e esperou que este se abrisse, pois já havia apertado o botão do controle remoto que o abriria, mas antes já havia anunciado para a esposa que estava do lado de fora tentando entrar. Tudo era feito com a máxima segurança devido ao grande número de assaltos pela cidade e também por aquelas redondezas.
Ribamar era policial, andava armado e só tirava o colete à prova de balas, quando estava na segurança do seu lar, mas não facilitava, sabia que o marginal não tinha nada a perder, era tudo ou nada. Quando abordam uma vítima, estão dispostos a matar ou morrer, a vida para eles tem pouco valor, sabem que neste ramo criminoso eles têm vida curta, não por causa da concorrência, mas porque a qualquer momento podem ser presos, baleados e até mortos, quando isso não ocorre dentro das dependências do presídio, por facções rivais ou por brigas internas.
A vida é uma mercadoria muito barata para eles. Por isso todo o cuidado ainda é pouco.
Parou neste momento sem explicação, seu corpo ficou paralisado, travado. Um arrepio atravessou seu corpo, indo se alojar no couro cabeludo, deixando-o enrijecido e fazendo os fios de cabelo se eriçarem. Isso aconteceu no exato momento em que escutou um som agudo, estridente e alucinante e ao mesmo tempo o grito apavorante da mulher.
Instintivamente pegou a arma que estava sobre o banco do passageiro e saiu do carro com ela em punho, avistando um vulto enorme cobrindo quase totalmente o corpo da mulher com um grande manto negro. Então, segurando a arma e apontando-a em direção aos dois gritou alto:
─ Pare ou atiro...
Não obtendo sucesso, atirou sem pestanejar duas vezes, mas para o alto. Esperou para ver o efeito que o som dos tiros fizeram, quando percebeu que o corpo da mulher caiu pesadamente na calçada e o vulto horripilante se voltava para ele.
Nosso agente sentiu apavorado que a enorme criatura se avolumava em sua direção, aí sim, não teve dúvidas, atirou várias vezes em sua direção. As balas não faziam efeito nenhum, e a horrível criatura estava tão perto que nosso agente pode sentir seu odor alucinante já impregnando todo o ar e o asfixiando. Ainda assim, meio grogue, conseguiu descarregar a arma em direção ao monstro que já o dominara quase completamente.
Sentiu-se totalmente dominado por aquele gigante horripilante que lhe penetrara as carnes com suas enorme garras afiadas. Todas as suas forças estavam sendo sugadas pela horrível criatura, seu rosto estava sendo esmagado por uma força estranha e espetacular.
Os Olhos Terríveis e Fumegantes da Noite já lançara seu silvo horripilante que apavorava todos que estivessem por perto ou nas redondezas.
De súbito, uma surpresa, no vão aberto da garagem surge uma bela mulher seminua, que ao se deparar com aquela cena horrorosa, gritou apavorada vendo o marido subjugado por uma estranha horripilante criatura.
A mulher gritou tão alto e com tanto desespero, que a fera, titubeou e parou, olhando aquela mulher linda e apavorada quase nua à sua frente; era a esposa do policial que viera abrir o portão para o marido entrar.
Alguma coisa aconteceu, neste exato momento, lhe pareceu que todas as forças do mal, todas as potestades que habitam as profundezas malignas do inferno estavam conspirando contra ele.
O corpo do policial caiu pesadamente no chão, a mulher que viera também armada, não pensou duas vezes, disparou a arma que trouxera, toda em direção àquela enorme e apavorante criatura, para depois cair desfalecida.
O sinistro ser das trevas, se aproximou daquele belo corpo caído e pela primeira vez seu ímpeto não foi de perfurar seu pescoço, nem apoderar-se de sua alma perfurando seus olhos, simplesmente curvou-se e tocou sua pele macia, mas de repente sentiu-se cercado por um punhado de pessoas, homens e mulheres que vieram em socorro dos vizinhos que estavam em perigo, não eram muitos, só que, para o tenebroso monstro envolto em seu manto negro, mais de duas pessoas já lhe atrapalhavam a mente e ele se sentia acuado. Tanto que levantando-se rodopiou o corpo tentando assustar quem estava por perto com seu assobio alucinante e pavoroso. As pessoas até se encolheram de medo, em primeiro momento, mas como eram muitas se encheram de coragem e avançaram em sua direção.
A estranha e medonha criatura surpreendeu a todos com sua velocidade e força incríveis, de um salto ganhou os telhados das casas e em outro instante desaparecia sob os olhares atônitos dos vizinhos de Ribamar.
Passado o susto, as mulheres correram para socorrer a esposa do agente caída nas entrada da garagem, enquanto alguns homens tratavam de socorrer Ribamar que se esvaia em sangue quase sem vida.

Colocaram-no em seu próprio carro e o levaram às pressas para o hospital Djalma Marques, que atendia também funcionários do governo do estado.

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