terça-feira, 28 de março de 2017

O PIRATA ANDALUZ E A FADA LINDA FLOR (início)

             
  
O Pirata Andaluz veio caminhando com passos apressados por um terreno pedregoso. Ele vinha com uma grande pá em uma das mãos e na outra um canudo como aqueles onde se colocam diplomas de formatura. Por causa da pressa, de vez em quando tropeçava em uma pedra que lhe aparecia  distraída no meio do caminho.
─Aí, que pedra mais desastrada, por que ficas no meu caminho? Gritou.
              Parando, colocou as mãos na cintura e exclamou:
─ Sua enxerida, por acaso estás a me vigiar? Cuidado que eu posso transpassá-la com minha espada de pirata!
              Mesmo assim, tropeçando aqui e acolá, nosso pirata seguia em frente.
De vez em quando diminuía o ritmo e olhava para trás e para os lados como que procurando se estava sendo seguido ou se havia alguém mais nos arredores. Às vezes tirava da cintura um pequeno monóculo e colocando-o nos olhos procurava por algum bisbilhoteiro.
─Eu tenho que tomar muito cuidado, até as pedras podem estar a serviço dela. E aquelas arvores, também são muito suspeitas. Sussurrou para o vento.
De repente parou. Olhou de novo para todos os lados, abriu o canudo e tirou de dentro dele um pedaço de tecido que tinha um mapa desenhado. Parecia um mapa do tesouro.
Rodopiou com o monóculo no olho e se certificou no mapa que o lugar era aquele mesmo. Como dizia o mapa, estava diante da pedra do dedo mágico.
─ Isto, é aqui mesmo, meu mapa e minha memória centenária não me falham. HÁHAHAHAHA!. Sorriu contente nosso pirata por se certificar que estava no lugar certo.
Passou a mão na pedra em forma de dedo, como se estivesse alisando um talismã. Recostou-se nela. Enfiou a mão no bolso e tirou uma velha bussola desgastada pelo tempo com o vidro trincado, colocou-a na mão e verificou todas as coordenadas e falou.
─Aí, minha amiguinha, companheira de longas viagens, muitas pilhagens, tu nunca me falhastes.
 Virou-se então para a direção noroeste. Perfilou-se, tomou de novo o monóculo, girando em todas as direções, certificou-se mais uma vez que estava sozinho.
─ Para lá, pirata, naquela direção e não te desvies, por favor. Ordenou pra si mesmo.
Encostado na grande pedra e sempre olhando para o mapa, se preparava para iniciar uma caminhada cadenciada quando pensou ouvir alguma coisa, parou. Com a mão em concha sobre o ouvido esperou.
De repente escuta um som estranho.
─ Miaaauuu!!! ( Ai que dia lindo!) Suspirou Isadora.
─ O que? Gritou assustado. Quem está aí? Rodopiou o corpo de novo com a espada em punho, mas não viu nada.
─ Miaaauuu ,Miauu??! (Opa! Quem é este cara? E porque está tão nervoso?   Que roupa esquisita! Será que ele trabalha no palácio da Rainha?)
Numa destas rodopiadas, ele deu de cara com Isadora, em cima da pedra do Dedo, deitada, com as patas para a frente e o rabo para cima abanando.
─Quem és tu afinal? Perguntou nosso pirata. O que estás fazendo aí? Gritou mais alto.
─Miau Miau Miau?! Respondeu Isadora, lambendo a patinha direita que estava mais próxima de sua língua. (Olá! Seu bobo! O que fazes aí todo assustado? Pareces meu amigo Gandolfo. Ele vive correndo atrás do rabinho, igualzinho tu. Eu estou tranquila, deitadinha, curtindo uma sombra, Ah que preguiça!) Miau! (Até parece que nunca viste uma gatinha tão linda como eu!)
─O que? Tu só sabes miar? Aposto que és uma feiticeira. Gritou de novo o homem.
─Quem te mandou   espionar -me? Vamos desembucha logo, se não eu vou até aí e te faço em pedaços com minha espada de pirata! Falava e gesticulava, enquanto dava voltas na pedra para ver se conseguia subir até a gata.
Isadora acompanhava tranquila as voltas que o homem dava na pedra e miava.
─Miau?Miau. (Queres subir? É muito fácil é só dar um pulinho, assim olha.)
─Tu não queres descer por bem, não é? Então vais descer por mal. Dizendo isto, sentou-se na pedra e tirou uma das botas.

─Agora sim, vais ver com quantos paus se fazem uma canoa. Eu já vi fazerem isto com ratos no convés do meu navio, deve servir para gatos também, lá vai. Falando isso, lançou a bota em direção de Isadora, mas esta não chegou nem perto. A pedra não era muito alta, mais ou menos uns três metros de altura, mas a bota era pesada e seu cano longo dificultava que atingisse uma altura maior. A bota bateu um metro abaixo dela. 

Autor: Edison R. Paulino -278/03/2017