terça-feira, 23 de dezembro de 2014

ASSASSINATO À BEIRA MAR - 8º EPISÓDIO



Assim, o Brasil inteiro tomou conhecimento deste trágico acontecimento. Os programas jornalísticos nas TVS também iniciaram o dia anunciando o crime.
 Desta maneira abrupta, que dona Rosário, mãe de Débora, recebeu a notícia da morte trágica da filha, enquanto se entretinha nos afazeres domésticos. Seu coração não suportou este tremendo impacto. Ela foi encontrada alguns minutos depois pelo marido, seu Antônio, caída no meio da sala. Ele que ainda não sabia de nada, pediu socorro aos vizinhos que chamaram uma ambulância para que a levassem ao hospital, onde foi encaminhada imediatamente à UTI, ficando lá em observação.
Seu Antônio ficou sabendo da morte da filha e da maneira como ela fora morta já no hospital e também quase sucumbiu à notícia. Foi amparado pelos enfermeiros e encaminhado à emergência onde recebeu os cuidados médicos se recuperando em poucas horas. Somente uma dor insuportável no peito não o abandonara. Era a dor da perda de um ente querido.
Como a imprensa batera muito na tecla de que fora um crime passional, a primeira suspeita recaiu sobre a viúva de Domingos, a Luzia, que também trabalhava como funcionária da Universidade, como administrativa.
O delegado fez uma visita à sua casa e a encontrou prostrada em uma cama. Segundo a empregada, havia mais de uma semana que ela estava assim, deitada se queixando de dores por todo o corpo. Quando o Dr. Costa perguntou o que os médicos disseram sobre estas dores, ela lhe respondeu que a consulta estava marcada para o dia seguinte da morte do marido e como ele morrera não pudera se deslocar até o consultório médico sozinha. Também não teve trabalho em enterrar o marido. Recusou-se terminantemente de fazer isto.
Os amigos de Domingos e a Universidade se encarregaram de fazer todas as despesas e preparar tudo para o funeral, já que ela não tirou nenhum centavo do banco para isto. Ela estava revoltada com o finado. Ele poderia ter morrido de qualquer jeito que ela teria prazer em fazer um enterro decente para ele. Mas, morrer deste modo tão desmoralizante, fazendo sexo em plena luz do dia e com outra mulher, era só o que faltava. Ela nunca o perdoaria.
― Ele que se enterrasse sozinho, aquele safado.
Como se isto fosse possível. Como encarar agora as amigas e os vizinhos? Que vergonha.

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