terça-feira, 9 de dezembro de 2014

ASSASSINATO À BEIRA MAR 7º EPISÓDIO



Com a chegada do delegado e seus auxiliares, as pessoas que estavam em torno dos corpos automaticamente foram saindo devagar e ficando somente duas que não conseguiram se safar antes de serem interpeladas pelo policiais.
Ninguém vira nada, todos chegaram depois da polícia militar.
É claro, essa é uma atitude quase que universal, ninguém gosta mesmo de se comprometer ou ser arrolado como testemunha de crime nenhum, e de um crime bárbaro como este, é claro que as pessoas ficam mais amedrontadas de dar qualquer depoimento.

Dora passou praticamente uns 40 minutos tirando fotos e nem ela e nem as pessoas que estavam na praça perceberam o que havia acontecido lá embaixo na calçada, do outro lado da avenida.
O tumulto que as pessoas fizeram logo que ela saiu, foi porque um rapaz, que estava subindo as escadas para a praça, percebeu a movimentação da polícia e curiosamente voltou e avistou os dois corpos caídos. Subiu de novo os degraus da escadaria e contou para os colegas que já estavam lá em cima.
E agora, o que fazer com este filme? Mostrar para a polícia ou esconder e fingir que não vira nada? Este agora era o dilema de sua vida.

Na manhã do dia 26 de agosto os jornais locais e de todo o país já estampavam a manchete do duplo assassinato ocorrido na tarde do dia anterior em plena Avenida Beira Mar em São Luís do Maranhão.
O jornal O Estado do Maranhão colocou em letras garrafais, destacando que um crime brutal ocorrera na tarde de ontem em nossa cidade, envolvendo um casal de amantes, que fazia sexo em plena calçada da Avenida Beira Mar. Foram encontrados na tarde de ontem os corpos seminus de uma mulher conhecida como a advogada Débora Cândida da Silveira 24 anos solteira e de um homem Domingos Ribeiro Colatini professor Universitário casado, ambos baleados na cabeça. O crime aconteceu por volta da 17:00 horas e apesar de cometido por razões desconhecidas não se descarta a hipótese de crime passional uma vez que uma das vítimas era casada.
O jornal O Imparcial descreveu o assassinato como um crime de proporções nunca vistas em nossa capital, e também não descartou a versão de crime passional já que o homem assassinado era casado.
O Jornal Pequeno estampou a seguinte manchete:
Gonçalves Dias nosso grande poeta foi testemunha impávida e silenciosa de um sinistro acontecimento. Duas pessoas aparentemente sem motivos foram assassinadas na Avenida Beira- Mar no final da tarde de ontem.
Os jornalistas deste jornal não visualizaram nestas mortes uma causa passional.
Em São Paulo, os paulistas logo pela manhã se depararam nas bancas de jornal com a seguinte manchete estampada no jornal A Folha de São Paulo:
― O Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade em São Luís do Maranhão terminou o dia de ontem coberto de sangue. Trágico acontecimento tingiu as águas do Rio Anil respingando nos edifícios e na história da cidade tombada. O tragicômico acontecimento teve como palco a Avenida Beira Mar e como plateia, as pessoas que transitavam na Praça Maria Aragão e outras que assistiam de camarote mais acima na histórica Praça Gonçalves Dias. Os protagonistas eram... e assim descrevia o assassinato que também tinha cunho de crime passional segundo este jornal.

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