quarta-feira, 26 de novembro de 2014

ASSASSINATO À BEIRA MAR Sexto episódio




O delegado, Elias Costa, mais conhecido pelos seus subalternos como Dr. Costa, estava sentado em sua sala, distraído, pensando que estava quase na hora de deixar a delegacia. Esperava somente a chegada do seu substituto, o delegado de plantão, o Osmar, que às vezes chegava um pouco atrasado por causa dos seus problemas com a diabetes, em estágio avançado.
O Osmar, não tinha jeito, não levava a sério as recomendações dos médicos e comia de tudo, quer dizer, tudo o que não podia comer. Estava fazendo hidroginástica por recomendação do médico, mas mesmo este exercício às vezes relaxava. O seu médico lhe dissera, que ele ainda não morrera por que não fumava. Este era o único fio que o ligava à vida. E, ele vivia se gabando disso, como se fosse uma vitória.
 Foi absorto nestes pensamentos que Elias recebeu o escrivão Josias.

― Dr. Costa, recebi um comunicado de um crime ocorrido próximo daqui, na Avenida Beira – Mar, aqui perto, parece que assassinaram um casal a tiros.
O delegado escutou o relato do escrivão e pediu para que ele chamasse imediatamente ao seu gabinete os agentes Amorim e Rafael e depois ligasse para redação do jornal O Imparcial e pedisse ao Nascimento que mandasse o seu melhor homem para fazer a cobertura do crime.
― Josias, pode ligar daqui da minha sala mesmo. Só espalhe a notícia depois que nós estivermos no local. Espere, me dá este telefone, deixa que eu mesmo ligo para o Nascimento, te encarregas de chamar os detetives. Olha aqui. Com prudência.
Os dois detetives não estavam muito longe, a sala deles era a segunda depois da sala do delegado no mesmo corredor, rapidamente ficaram sabendo do acontecimento e também com a mesma presteza atenderam ao chamado do chefe.
Quando os dois auxiliares chegaram, o delegado encaminhou-se ao local do crime e enquanto andavam colocava os outros dois à par dos acontecimentos. Na verdade nem ele tinha muita informação sobre o caso.
Ao chegarem ao local, encontraram os corpos caídos, no mesmo lugar onde dona Genoveva os encontrara, já cercados por meia dúzia de curiosos. Os militares, que chegaram alguns segundos antes do trio, já haviam cercado os corpos com fita listrada para manter os curiosos afastados até que a perícia chegasse. O sargento Matias recebeu o delegado com uma continência rápida e lhe apresentou o boletim de ocorrência o famoso BO. O delegado leu e depois perguntou se já haviam chamado a perícia. Os dois agentes vasculharam o local à procura de algum vestígio ou capsula que pudesse ser usado como prova contra um possível assassino, examinaram os corpos sem tocá-los com as mãos, para não deixar impressões digitais, usaram luvas para este trabalho.

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