segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ASSASSINATO À BEIRA MAR ( TERCEIRO EPISÓDIO)


 



Eles se aproximaram, entraram e se sentaram no banco de cimento que circunda toda a pracinha, se sentaram bem no meio, lá no fundo da pracinha e começaram a trocar carícias, aí Dora não teve dúvidas, ligou a máquina e colocou-a na posição de filmar, aproximou bem o zoom e ficou observando o casal. A máquina apoiada sobre a mureta e apontada para a cena poderia ficar parada e Dora somente assistindo enquanto ela filmava.
A fotógrafa estava de boca aberta, enquanto o casal lá embaixo fazia uma porção de cenas que poderiam ser de sexo explicito, não fosse a saia rodada que escondia tudo, em plena luz do dia e sem se importar com quem por ventura passasse por ali.
A mulher sentou-se de novo de costas, no meio das pernas do homem que se debruçou um pouco mais na mureta. Com movimentos lentos ela subia e descia como se estivesse fazendo sexo. A saia dela encobria tudo, até as calças, se por ventura estivessem arriadas do seu companheiro.
Dora teve que parar de olhar a cena que poderia ser pornográfica, dependendo de quem a olhasse e que passava lá em baixo, porque os alunos chegaram fazendo muito barulho. Ela se voltou para dar atenção aos estudantes que chegavam e se esqueceu daquela cena momentaneamente. Sorriu, achando graça das poses que eles tentavam fazer só para lhe chamar a atenção.
― Ei, Dona Dora, que tal esta pose? E esta, tá melhor? Olha, pega a máquina, tira esta foto.
Ela se voltou, pegou a máquina, andou até eles e continuou filmando a brincadeira daquela turma, até que resolveu colocar ordem e começar a fotografar. Quando tudo terminou, guardou a máquina e se dirigiu ao carro e observou com certo temor que a viatura da polícia que antes estava estacionada ali perto agora já não estava mais e também os policiais que faziam ronda pela praça também haviam sumido.
Quando dava ré no carro para sair percebeu que havia se formado um aglomerado de pessoas junto à mureta da praça e todos olhavam para baixo para o lado da avenida beira mar gesticulando e gritando.
―Nossa, pensou. Deve ter acontecido um grande desastre lá embaixo. Esse trânsito anda louco mesmo.
O dia fora cansativo, ela tomou um banho, jantou, assistiu um pouco de televisão e depois foi dormir. O outro dia seria mais um dia cansativo, então deveria descansar para ter pique de trabalho.
Pela manhã enquanto tomava café antes de começar a trabalhar, vendo o jornal pela TV, levou um grande susto quando o repórter anunciou que foram encontrados dois corpos, um homem e uma mulher assassinados a tiros na avenida Beira Mar no dia anterior por volta das 17:00h.
A polícia ainda não tem pistas de quem teria cometido o duplo assassinato. O delegado que acompanhou o caso não descartou a hipótese de um crime passional.
Dora teve neste momento um ataque de nervos, seu corpo não parava de tremer e ela não conseguia mais se alimentar.
― Nossa, eu quase que presenciava um assassinato. O café que já havia tomado teimava em querer voltar pela garganta e sair pela boca. Por duas vezes quase vomitou pensando na cena dos dois sendo abatidos ali bem debaixo de seu nariz. Ficava imaginando a situação dos dois amantes, sendo flagrados ali em pleno ato sexual e baleados sem que pudessem esboçar nenhuma reação.
Pensava na mulher caída de um lado e o homem com as calças arriadas seminu, pegos de surpresa e agora sendo objeto de curiosidade e até de gozação dos curiosos que deviam se acotovelar para olharem a cena grotesca que os dois corpos apresentavam.
Juntamente com as náuseas, veio-lhe também uma grande dor de cabeça. Não conseguia se desfazer daquela imagem do dia anterior. No momento lhe pareceu uma cena engraçada.
― Aqueles dois caras de pau. Pensava enquanto assistia.
Agora era só pavor o que sentia. Ficou sentada durante muito tempo. Estava descontrolada. Antes era muito determinada, assim que acabava de tomar café, corria para a mesa de trabalho. Almoçava por lá mesmo e só se levantava para atender chamados de clientes que queriam posar para fotos.
(continua em outro dia)

 

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