sábado, 4 de outubro de 2014

ASSASSINATO À BEIRA MAR - continuação



Para sua surpresa lá estavam os dois, no mesmo lugar e na mesma situação. A mulher sentada no meio das pernas do homem, fazendo movimentos suaves, subindo e descendo, alheios ao movimento da rua bem a frente deles. É claro que por ali quase não passavam pedestres, raramente se via alguma pessoa andando, somente aqueles que faziam caminhadas, pela manhã ou no finzinho da tarde. O movimento de carros era intenso.
A mulher usava uma saia bem rodada e longa, cobrindo de propósito as pernas do seu companheiro que estava inclinado para trás, recostado à mureta. O que os escondia um pouco, era que, naquele lugar se formava uma pracinha, um pouco recuada da calçada, fazendo com que os dois passassem despercebidos pelos transeuntes.
Ela não teve dúvidas, apertou o botão e clik de novo, depois caminhou em direção ao coreto para se juntar à turma que iria ser fotografada. Não era uma foto muito interessante para ela, que ganhava a vida trabalhando com eventos, tirando fotos nas praças, nas escolas, nas igrejas ou mesmo nos salões de festa. Tinha uma vida muito corrida e tirara aquela foto somente como brincadeira, talvez nunca tivesse tempo de olhá-la de novo.
Levava a máquina para seu escritório e salvava todas as fotografias que tirava, no computador, selecionava as que ficavam melhores e, depois imprimia, mostrando-as aos clientes, que escolheriam as de sua preferência para compor o álbum ou os slides. Ela nunca apagava as fotos que não eram escolhidas por eles, guardava-as em uma pasta, para que futuramente pudesse usá-las.

Três dias depois estava de volta à mesma praça. Havia marcado com uma turma de alunos naquele horário, mas quando chegou não viu ninguém por ali. Algumas pessoas tiravam fotos e não pareciam turistas. Olhou em volta e avistou uma viatura da polícia militar parada e alguns soldados fazendo ronda. Ficou mais tranqüila e desceu para esperar os alunos. Recostou-se à mureta de onde avistava o coreto, porque era o local onde havia mais sombra, voltou-se para o lado do mar e avistou do outro lado andando pela calçada e se aproximando da pracinha da avenida beira-mar um casal que lhe pareceu familiar.  ( devo continuar)

 

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