segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Assassinato à Beira Mar (quarto episódio)


               E o dia lhe parecia um dia normal, acordara disposta, tomou um banho relaxante e agradeceu a Deus por mais um dia que começava lindo. Era o que lhe parecia.
 Ela ainda não se lembrava que tinha um filme de praticamente todas as cenas dos dois amantes ainda vivos. Custava a acreditar que aquele casal assassinado era o mesmo que vira casualmente durante os dias que estivera do lado de cima da praça fazendo seu trabalho de fotografa.
Com muito custo levantou-se e se dirigiu à mesa de trabalho. Ligou o computador e quando pegou a máquina fotográfica foi que se lembrou das cenas que poderiam estar gravadas ali. Trêmula, conectou o cabo desta ao computador e começou a salvar as fotos que tirara durante a semana. Separou as fotos por turma e depois separou aquelas, que fizera do casal.
Quando resolveu salvar o filme que fizera dos dois é que veio a grande surpresa. Naqueles momentos que se voltou para dar atenção às pessoas que chegavam, se esqueceu que estava filmando e deixou a máquina ligada voltada para baixo.
Abrindo agora o filme é que pode ver tudo o que aconteceu. Viu os dois começando as carícias que culminariam num ato sexual ao ar livre, de repente um automóvel entrou na pracinha, parou bem em frente ao casal, a mulher atônita caiu de lado e o homem se contorceu e permaneceu deitado, o carro saiu do mesmo modo que entrou deixando os dois corpos caídos ali mesmo. A mulher ao ser flagrada se levantou surpresa e com o impacto do tiro caiu para trás escorregando depois para o chão, mas o homem não esboçou nenhuma reação, o tiro atingiu sua testa e ele ficou imóvel, com as pernas abertas, e agora seminu, mostrava seu órgão genital, com as calças e a cueca arriadas.
Aquela cena ficou por alguns segundos paralisada, até que de repente apareceu outra cena já com os estudantes brincando no coreto da praça.
Se ela tivesse olhado para baixo, com certeza teria visualizado tudo e agora seria uma testemunha ocular do crime.
O crime acontecera um pouco antes da cinco da tarde, horário que Dona Genoveva sempre começava sua caminhada vespertina, andava pelo menos durante uma hora.
No momento do crime ela estava próxima ao prédio do Plantão Central, no antigo prédio da REFESA, ali mesmo na Beira Mar e se preparava para começar sua caminhada. Nos outros dias quando estava chegando perto da pracinha onde os dois estavam namorando, eles disfarçavam até que ela estivesse longe. 
Dona Genoveva não era boba nem nada e fingia que não notava a presença dos dois amantes ali no fundo da pracinha. Então ela passava e de esguelha dava uma olhada nos dois e continuava resmungando.
― Que pouca vergonha. Por que estes dois não vão para um motel? Isto aqui não é lugar para isto. Hum!
(continua no quinto episódio)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ASSASSINATO À BEIRA MAR ( TERCEIRO EPISÓDIO)


 



Eles se aproximaram, entraram e se sentaram no banco de cimento que circunda toda a pracinha, se sentaram bem no meio, lá no fundo da pracinha e começaram a trocar carícias, aí Dora não teve dúvidas, ligou a máquina e colocou-a na posição de filmar, aproximou bem o zoom e ficou observando o casal. A máquina apoiada sobre a mureta e apontada para a cena poderia ficar parada e Dora somente assistindo enquanto ela filmava.
A fotógrafa estava de boca aberta, enquanto o casal lá embaixo fazia uma porção de cenas que poderiam ser de sexo explicito, não fosse a saia rodada que escondia tudo, em plena luz do dia e sem se importar com quem por ventura passasse por ali.
A mulher sentou-se de novo de costas, no meio das pernas do homem que se debruçou um pouco mais na mureta. Com movimentos lentos ela subia e descia como se estivesse fazendo sexo. A saia dela encobria tudo, até as calças, se por ventura estivessem arriadas do seu companheiro.
Dora teve que parar de olhar a cena que poderia ser pornográfica, dependendo de quem a olhasse e que passava lá em baixo, porque os alunos chegaram fazendo muito barulho. Ela se voltou para dar atenção aos estudantes que chegavam e se esqueceu daquela cena momentaneamente. Sorriu, achando graça das poses que eles tentavam fazer só para lhe chamar a atenção.
― Ei, Dona Dora, que tal esta pose? E esta, tá melhor? Olha, pega a máquina, tira esta foto.
Ela se voltou, pegou a máquina, andou até eles e continuou filmando a brincadeira daquela turma, até que resolveu colocar ordem e começar a fotografar. Quando tudo terminou, guardou a máquina e se dirigiu ao carro e observou com certo temor que a viatura da polícia que antes estava estacionada ali perto agora já não estava mais e também os policiais que faziam ronda pela praça também haviam sumido.
Quando dava ré no carro para sair percebeu que havia se formado um aglomerado de pessoas junto à mureta da praça e todos olhavam para baixo para o lado da avenida beira mar gesticulando e gritando.
―Nossa, pensou. Deve ter acontecido um grande desastre lá embaixo. Esse trânsito anda louco mesmo.
O dia fora cansativo, ela tomou um banho, jantou, assistiu um pouco de televisão e depois foi dormir. O outro dia seria mais um dia cansativo, então deveria descansar para ter pique de trabalho.
Pela manhã enquanto tomava café antes de começar a trabalhar, vendo o jornal pela TV, levou um grande susto quando o repórter anunciou que foram encontrados dois corpos, um homem e uma mulher assassinados a tiros na avenida Beira Mar no dia anterior por volta das 17:00h.
A polícia ainda não tem pistas de quem teria cometido o duplo assassinato. O delegado que acompanhou o caso não descartou a hipótese de um crime passional.
Dora teve neste momento um ataque de nervos, seu corpo não parava de tremer e ela não conseguia mais se alimentar.
― Nossa, eu quase que presenciava um assassinato. O café que já havia tomado teimava em querer voltar pela garganta e sair pela boca. Por duas vezes quase vomitou pensando na cena dos dois sendo abatidos ali bem debaixo de seu nariz. Ficava imaginando a situação dos dois amantes, sendo flagrados ali em pleno ato sexual e baleados sem que pudessem esboçar nenhuma reação.
Pensava na mulher caída de um lado e o homem com as calças arriadas seminu, pegos de surpresa e agora sendo objeto de curiosidade e até de gozação dos curiosos que deviam se acotovelar para olharem a cena grotesca que os dois corpos apresentavam.
Juntamente com as náuseas, veio-lhe também uma grande dor de cabeça. Não conseguia se desfazer daquela imagem do dia anterior. No momento lhe pareceu uma cena engraçada.
― Aqueles dois caras de pau. Pensava enquanto assistia.
Agora era só pavor o que sentia. Ficou sentada durante muito tempo. Estava descontrolada. Antes era muito determinada, assim que acabava de tomar café, corria para a mesa de trabalho. Almoçava por lá mesmo e só se levantava para atender chamados de clientes que queriam posar para fotos.
(continua em outro dia)