domingo, 19 de fevereiro de 2012

ASSASSINATO À BEIRA MAR




Ao cair da tarde quando o sol estava mais brando e mais próximo da linha do horizonte por onde deveria se esgueirar para iluminar outras paradas, outros lugares em outro hemisfério, como diriam os mais estudados, já que os poetas diriam talvez que ele se escondia por traz da linha do horizonte, deixando espaço para a lua iluminar os casais enamorados, Dora se esforçava para organizar a pose para uma foto, de um bando de jovens estudantes, que se preparavam para a colação de grau. Seriam fotos de várias situações ou poses que iriam para o álbum de fotografia ou para os slides de apresentação durante o baile de formatura.
Cansada se recostou à mureta que separava a Praça Gonçalves Dias da Praça Maria Aragão que fica alguns metros mais abaixo. Olhando em direção ao mar avistou um casal que displicentemente parecia fazer amor recostado à mureta que os impedia de cair na água. Eles estavam sentados no banco de cimento que circundava o fundo da praça.
A distância era enorme, mais de cinqüenta metros, será que estava vendo bem? Mirou a máquina fotográfica em direção ao casal e clik. Virou-se de novo para o bando de garotas que brincavam alegremente e não viram o que Dora vira segundos atrás.
O tempo passou rápido e o sol se foi mesmo, como ameaçava, deixando um tom vermelho amarelado queimando as nuvens por cima do oceano que perdia aquele tom azulado, para ganhar uma cor cinzenta que iria escurecendo até ficar totalmente negro se confundindo com o céu, era hora de ir embora.
No outro dia, lá estava Dora de novo na mesma praça fazendo fotos de outro grupo de formandos. Enquanto eles se preparavam dentro do coreto de onde saiam a maioria das fotos das turmas de formandos, ela se recostou na mureta  e instintivamente voltou os olhos para o lado do mar, parecendo que sabia o que estava procurando... (continua)

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