domingo, 17 de abril de 2011

UM LADRÃO NO APARTAMENTO AO LADO



− Policia militar, boa tarde.

− Alô, depressa, tem um ladrão aqui, ele está querendo entrar no apartamento do vizinho, podem vir correndo! Ele pode fugir!

− Calma, calma, menino! Você ligou para o Corpo de Bombeiros. O telefone da Rádio Patrulha é 190. Pede para um adulto ligar. Eles vão mandar uma viatura. Espero que não seja um trote.

− Mas não vai dar tempo, o senhor não pode fazer isto? O ladrão pode fugir.

− Olha garoto, vou desligar.

− Não, não vai dar tempo, liga daí, liga daí! O ladrão vai fugir!

Tumtumtumtumtum...

− Ta bom, vou ligar para o 190, mas acho que não vai dar tempo.

− Alô, Rádio Patrulha, em que posso ajudá-lo?

− Olha, depressa, tem um ladrão, querendo entrar, quer dizer, já entrou, no apartamento do vizinho, manda a polícia aqui logo, pelo amor de Deus, moço!

− Certo. Diz o endereço daí.

− É do Valência II.

− A rua?

− Rua do Aririzal. Moço vem depressa...

− Certo, já anotei. Agora me dá o número do seu telefone e desliga.

− Não, o ladrão vai embora!

− Olha, você desliga, eu ligo de volta. É uma medida de segurança, para ter certeza que não é trote.

− Tá bom, 3088-1823, vou desligar, não demora.

− Alô...

− 3088-1823?

− Sim, sim!

− Você ligou fazendo uma denúncia de assalto?

− Sim, fui eu. Já estão vindo?

− Estou entrando em contato com a viatura mais próxima do local da ocorrência, é só aguardar.

− Moço, diz para eles que é urgente, o ladrão já tá lá dentro! Corre se não ele vai embora.

− Então vai até a janela e grita: pega ladrão! Ele vai se assustar e vai fugir.

− Eu tentei, mas ele tirou um revolver, apontou pra mim e atirou.

− Você está ferido?

−Não, ele não acertou, me escondi antes d’ele atirar.

−Ei garoto, esta história está muito esquisita. Como foi que ninguém escutou o tiro?

− Os foguetes.

− Foguetes, como assim?

− É que tá todo mundo lá em baixo, assistindo ao jogo da seleção com a Argentina.

− Você está sozinho?

− Tô.

− Eh cara! Então desce e avise as pessoas lá em baixo.

− Não posso.

− Como não pode. Você não anda?

− Tô trancado!

− Trancado?

− É, eu estava dormindo, minha mãe trancou a porta e desceu.

− Olha menino, já avisei o pessoal da ronda. Eles estão chegando por aí. Você sabe o número do bloco onde o ladrão está?

− Sei, sei. É o bloco 6, no primeiro andar. O apartamento é o primeiro da frente, não sei o número.

− Ei garoto, me dá o nome do seu pai e da sua mãe. É para preencher o B.O.

−João, o nome do meu pai é João Filho e o da minha mãe, Ester. Eu sou o João Neto. Cadê a polícia? Tá demorando! Deste jeito o ladrão vai embora! Que moleza!

− Calma, Joãozinho, eles estão chegando. Vai dar tudo certo.

− O ladrão jogou alguma coisa lá embaixo!

− Ele está saindo? O que foi que ele jogou?

− Não. Ele voltou. Não sei o que ele jogou, tá dentro de um pano branco.

− Um lençol?

− É, pode ser. Mas, cadê a polícia?

− Joãozinho, fica de olho.

− Tô de olho, mas manda esses caras correrem. Olha o ladrão tá na sacada. Ele tá colocando as pernas para fora. Tá se pendurando. Vai pular. Pulou... cadê a polícia, cara, ele tá correndo. Sumiu... puxa, eu não acredito, deixaram o ladrão fugir!?

− Ei Joãozinho, vou desligar, foi legal falar com você.

− O que ? Por que você vai desligar? Você não mandou a viatura, não foi?

− Garoto, a polícia nunca chega quando mais se precisa dela. E outra coisa, você já ouviu falar em linha cruzada?

− Já, e daí?

− Bem, escutei a sua conversa com o policial em uma linha cruzada, anotei o número que você passou para ele e então depois que você desligou, eu liguei de volta. Tive sorte de conseguir antes dele. Vou desligar. Olhe, não atenda ao telefone, a polícia não vai gostar de saber que você estava passando trote. Tchau.


 Autor: Edison Rodrigues Paulino