segunda-feira, 28 de março de 2011

FOFOCA VAI, FOFOCA VEM




Porque eu fui falar para o Paulão sobre aquela conversa que tive com o Nelson, chefe do setor de Expedição, na porta da agência do Banco do Brasil, no Renascença?
Agora ele vai direto falar com o Joel, o pivô de toda esta encrenca. Quem mandou ele contar para o Luís, do atendimento, tudo o que a Antonia do Financeiro lhe contara, como segredo?
A Antonia não inventara nada. Esta conversa começou com a Joana lá do Almoxarifado. Ela ouviu a chefe do setor, a Dona Rita, ligar para o encarregado de compras, procurando saber se ele já ligara para setor de recursos humanos solicitando providências no sentido de contratarem urgentemente alguém para substituir Paulão.
A Joana, segundo o Joel, lhe contara como fora a conversa, tintin por tintin que os dois tiveram.
− Jorge, eu preciso de alguém urgentemente para substituir o Paulão, ele vai fazer muita falta, mas tem que ser assim, não tem outro jeito. Quero resolver isto antes de me aposentar.
Falando nele. Lá vem o Joel.
− Ei, Joel. O Paulão estava procurando por você, cara!
− Há, já falei com ele.
− E aí...?
− Confirmei tudo que dissera antes.
− E ele?
− Ta chorando lá no almoxarifado, arrumando as coisas. Ele me falou que não vai cumprir aviso prévio.
− Mas, por que?
− Ele acha muita falta de consideração, ser mandado embora sem ser avisado. A empresa toda já está sabendo menos ele. Eu estou com ele, também faria o mesmo. Se acontece com um cara como ele, imagina com os outros.
− Chiii... Olha quem vem lá. A dona Rita.
− Oi, dona Rita, boa tarde, a senhora já falou com o Paulão?
− Já!
− E ele, tá legal?
− Tá, tá legal!  Muito contente por sinal, feliz da vida.
− Como assim feliz da vida?
− Claro, rapaz. Como não estar feliz alguém que ganha uma chefia da noite para o dia? Bem ele não sabia, mas já conseguimos alguém para ocupar a sua vaga. Então ele já pode assumir amanhã mesmo.
Eu estou me aposentando, e quem merece esta vaga mais do que ele?
–Ah!?

Autor: Edison Rodrigues Paulino

sábado, 26 de março de 2011

DÉBORA AMA............ (introdução)




 

Débora tomou mais um gole, virou-se apoiando os cotovelos no balcão, ficou sentada de costas para ele, olhando para fora do bar.
Não fosse um homem sentado à mesa dos fundos, totalmente bêbado, ela poderia dizer que era a última freguesa do bar naquela madrugada.
O garçom, o único que ficou para atender os dois que teimavam continuar bebendo madrugada adentro, mesmo com o bar quase deserto, estava sentado em um banquinho do lado de traz do balcão com os olhos pregados de sono. Por ele, os dois já teriam saído há muito tempo.
O homem lá do fundo, parara de beber e segurava o copo seco como que admirando uma peça rara.
Ainda não fora colocado para fora porque a mulher ainda bebia, mesmo que em pequenos coles, mas bebia.
Tomara algumas garrafas de cerveja com o homem que chegara com ela, e agora sozinha, pedira duas cubas libres que sorvia a goles pequenos.
Desceu do banco e foi ao banheiro, demorou, mas quando voltou pediu a conta e saiu.
Após sua saída, o garçom esperou alguns minutos, dirigiu-se ao homem lá do fundo e o avisou que o bar ia fechar.
Este pagou a conta e cambaleando, também saiu, seguindo pela calçada sumiu na escuridão.
O rapaz do bar, depois de fechar a porta do estabelecimento, colocar cadeiras sobe a mesas, verificou se ninguém esquecera nada, recolheu as garrafas, vistoriou os banheiros para se certificar que não havia mais ninguém no local.
No banheiro das mulheres encontrou escrito com batom no espelho em frente ao lavatório, a seguinte frase, dentro de um coração:
Débora ama..........?
Quem seria Débora? Tantas mulheres passaram esta noite pelo bar e muitas usaram o banheiro.
Fez uma rápida retrospectiva visualizando todos os casais que entraram no bar naquela noite e parou no último.
Eles entraram, ele abriu a porta para ela, e os dois se sentaram em uma mesa lá no fundo do bar do lado oposto ao homem que bebia sozinho.
Engraçado, pensou o garçom, quando eles chegaram aquele homem já estava ali bebendo, pediu um tira gosto e mais nada para comer o resto da noite, ele só bebia uísque, no começo exigiu do melhor, depois parou de exigir e tomou qualquer um.
Na sua filosofia, o melhor era mais caro e só servia para abrir a noite, depois quando já estaria bêbado não sentiria a diferença, por isso, queria o mais barato depois da terceira dose do mais caro.
Os dois se sentaram juntinhos, jantaram e beberam muita cerveja, sempre trocando muitas caricias e beijos, mas por volta das 23:30h da noite o homem olhou para o relógio, falou alguma  coisa ao ouvido da mulher, chamou o garçom e pagou a conta saindo em seguida, deixando a mulher sozinha.
Depois que o rapaz do bar retirou os pratos e limpou a mesa, a mulher se levantou, fez menção de sair, mas desistiu e se dirigiu ao balcão, lá ficando até as duas horas da madrugada. Ela estava totalmente tranqüila e parecia estar se deliciando com aqueles momentos, sorvendo-os na lembrança como uma bebida deliciosa, assim, não tinha pressa para sair. Estava feliz, como nunca estivera antes.
O homem que estava com ela, saíra às presas, deveria pegar um vôo para Curitiba e já estava quase na hora. Ele também ficara até o último momento aproveitando aquela felicidade mútua que transpirava pelos poros dos dois naquela noite.

Autor: Edison Rodrigues Paulino