sexta-feira, 29 de outubro de 2010

JESUS CRISTO

Um dia, saiu a luz,
pouca luz.
No barulho perdido,
só pouco tempo
no infinito ficou.
Parou no fraco abraço,
chorou e implorou amor,
calor e paz.
Mais um pouco de luz,
bem longe,
um caminho mostrou.
Distante num olhar de ternura
seguiu num sorriso
os olhos de todo o mundo.
E de esperança os corações
transbordaram.
A fé brotou, ramificou e
espalhou frutos.
Então sim, toda luz saiu
e abraçou a dor
de todo mundo.
Levou amor, beijou.
Num doce vagar sorriu,
a todos viu.
A passo largo
na longa estrada
de muito andar,
bem de perto amparou
os passos de todo mundo.
E, com doçura,
a todos amou,
por todos morreu.
Então, a vida transbordou.
O amor do seu peito jorrou.
Uma nova estrada e 
um novo jeito de amar,
a todos presenteou.


AUTOR:EDISON RODRIGUES PAULINO

sábado, 23 de outubro de 2010

UM MUNDO SEM HOMENS.

Imagine um mundo só de mulheres.
Elas não teriam a quem disputar;
não teriam genros para atormentar;
não teriam por quem resmungar;
não teriam filhos para amamentar;
nem um braço forte para abraçá-las;
não teriam de quem fofocar;
não teriam razão para serem rivais.
Ah, que paz seria o mundo,
sem a mulher
a berrar no ouvido do homem;
a instigá-lo; a atormentá-lo;
as cabeças não mais rolariam;
e as mulheres passeando, 
de mãos dadas pelo parque,
olhando a lua, que romântico.
Ah, um mundo sem homens, 
quanta maçã para dividir.
Eva sozinha no paraíso,
barriga grande de tanto
comer do fruto proibido,
debaixo da macieira
sem ninguém para dividir.
A serpente entediada sem ninguém para infernizar,
emburrada:
―Por que Deus não fez primeiro o homem?
―Essa aí só pensa em comer.
―Desse jeito ninguém vai ser expulso daqui.
―O mundo vai ser um tédio só.
―Essa gordona comilona e eu aqui,
sem ninguém para infernizar.
Ah, que tédio esse mundo sem homens.
Você  mulher,
pense bem ao resmungar,
imaginar ,
um mundo sem homens.
Ah! Que tédio.

(obs: isto tudo é uma brincadeira, o mundo só tem graça
por causa da beleza, em todos os sentidos,  da Mulher.)
AUTOR: EDISON RODRIGUES PAULINO

quinta-feira, 14 de outubro de 2010


Toda aquela gente,
rosto colado ao chão,
preces eleva
bem alto aos céus,
pra alguém de lá escutar.

A multidão olha pro mar,
que calmo,
nada ouvindo,
joga, tão brando,
ondas na praia.

As preces,
mais altas agora,
e o som se propaga
por todo o oceano.

Do céu então,
um trovão se faz ouvir,
e um clarão, no horizonte,
ofusca os olhos desta gente.

As águas do mar
se agitam,
logo se acalmam;
as vozes se calam
e os corações se precipitam.

As gaivotas revestem de branco,
o sol doira,
o céu muito azul
emoldura o espetáculo.

Tudo emudece
e adora,
espera,
palpita,
desfalece...


Um murmúrio agoniza
no intimo suplicante
de cada ser que balbucia...

Aceita...Senhora...

E os barquinhos vão
velejando sozinhos.
Vão tangidos pelo vento,
impelidos para o mar,
envoltos na espuma das águas.

É o pão de um
de cada dia.
É o sangue,
é a esperança
desta gente,
que vão,
tragados pelo mar,
aceitos por “IEMANJÁ


AUTOR: Edison Rodrigues Paulino





quinta-feira, 7 de outubro de 2010

QUIETUDE

É  tarde,
bem tarde.
O sol se esconde
cá do seu lado.
A lua pula
e quer atravessar,
escureceu,
anoiteceu.

Os corações
se enluvam
na noite do amor,
do amor
inspirado na lua,
há pouco virgem,
sussurrado
ao ouvido enamorado.

Murmureja sonolenta
a fonte,
desperta pelos
cantores noturnos.
A rua embala
o sono das casas
e, as calçadas
cuidam.


Autor – Edison Rodrigues Paulino