segunda-feira, 20 de setembro de 2010

PARANÓIA

Quando estacionei meu carro em frente à garagem de casa e olhei para o relógio me espantei com o horário. Eram 16:15. Achei estranho. Não me lembrava porque estava ali tão cedo. Normalmente saía do escritório por volta das 18:00 horas quando não havia muito trabalho e, o mais estranho era que eu estava abarrotado de trabalho, atolado até o pescoço.
Um branco total, isso era o que tinha me acontecido. Como vim parar aqui a esta hora? Por mais que me esforçasse não me lembrava.
Como estava nesta situação, resolvi não colocar o carro na garagem, deixando-o do lado de fora mesmo, estacionado bem em frente de casa. Entrei e, tudo estava em silêncio, lembrei-me então que as crianças estavam na casa de Dona Jacira, minha sogra.
Procurei por Maura, minha esposa, mas não a encontrei, não estava também no quintal.
Estranho, cheguei cedo e minha esposa não se encontrava em casa, onde será que ela estava? Sentei-me no sofá da sala e senti alguma coisa me cutucando por baixo da almofada, passei a mão e peguei alguma coisa. Ora, era o celular dela. Ela saíra sem celular.Havia uma mensagem gravada. A pressa foi tanta que Maura esqueceu de apagar a mensagem, que ainda estava gravada. Não fazia muito tempo que saíra e a mensagem gravada dizia:
MEU BEM! TE ESPERO NO SHOPPING. 17:00 HORAS - BEIJOS
Meu Deus então é isto, minha chegada mais cedo foi providencial. Com quem ela iria se encontrar? Eu preciso ver isto; 17: 00 horas  no shopping. Porque ela está fazendo isto comigo? Nós vivemos tão bem! Eu lhe dou amor e carinho. Como é falsa. E diz que me ama. Preciso ver isto, preciso ver isto.
Oh! Meu Deus, que loucura, estou perdido, como vou viver sem ela? Mas também não quero mais saber dela. Droga porque ela foi fazer isto?  Maura você está me traindo? Está? Com quem? Quem é este safado, que lhe chama de meu bem e ainda manda beijos? Quem?
Eu preciso saber quem é. Não agüento esta ansiedade. Faltam 20 minutos para as 17:00 horas. Tive uma idéia, vou ficar de tocaia e ver com quem ela vai se encontrar, aí pego os dois de uma vez só. Será que vou ter coragem?
Preciso de um disfarce. Ainda bem que não joguei fora aquele casacão que meu tio deixou quando passou uma temporada conosco, há mais de seis anos. Vou tirar o chapéu de palha velho que usei nas últimas festas juninas e o bigodinho postiço do casamento caipira do ano retrasado. Estava perfeito, era uma mistura de Carlito e Jack o extirpador, ninguém me reconheceria.
Nossa! Faltam 15 minuto para as 17:00 horas, preciso correr, o Shopping não é longe, no caminho vou planejando como agir. Tenho que chegar devagar, não posso ser visto, apesar do meu disfarce perfeito.
Não consigo imaginar minha mulher me traindo. Tudo estava tão bem entre nós. O que será que deu nela para fazer isto? Será que eu me esqueci dela com esta correria de trabalho? Mas, ela nunca reclamou; ao contrário sempre me incentivou. Vai ver que me incentivava para ficar livre e poder me trair tranqüila. Besta! Ta vendo o que dá trabalhar demais!
Bem cheguei. Vou me esconder atrás destes carros grandes; daqui posso ver bem o movimento na entrada do Shopping. Será o cara já chegou? Quem será ele? Será um conhecido? Daqui pra frente todo mundo vai me chamar de chifrudo. Lá vai o chifrudo! Por que você fez isto Maurinha? Eu vou ficar marcado pro resto da vida. 17:05... e nada ainda. Cheguei atrasado? Não, não, olha ela lá, está olhando para o relógio, o cara está atrasado. Cuidado, se esconde ela está olhado para cá, mas é claro que não vai me reconhecer, bobagem a minha, o meu disfarce é perfeito.
Chiii, rapaz! Ela cruzou os braços, está impaciente. Olha lá, olha lá! Está batendo os pezinhos, este é um mau sinal, ela está furiosa. O cara se atrasou... coitado, não conhece a Maurinha; quando ela fica furiosa... sai de baixo.
Ela entrou. Vou esperar um pouco. Saiu de novo... olhou para o meu lado. Entrou de novo. Eu estou seguro. O que ela foi fazer lá dentro? Está demorando... será que o cara estava lá? Puxa... ela está demorando o que....ai, aiaiai...  o que é isto?
Seu idiota, seu maluco...estúpido!
O que, o que? Eu não estou entendendo nada? De onde você saiu?
Ah, não está entendendo nada, seu burro? Então você marca comigo na porta do Shopping às 17:00 horas em ponto...me deixa esperando e depois vem pra cá com esta idiotice toda. O que é que você está pensando, hein? Sua besta quadrada!
Mas... Maurinha era só uma brincadeira. Como foi que você me reconheceu? O meu disfarce era perfeito...
Eu não seu onde estou que não encho sua cara de porrada... seu louco, doente mental, seu... seu...
Esta fantasia idiota está mais manjada do que a do zorro. Você usa esta porcaria em toda a festa e em toda a brincadeira que se faz lá em casa ou na vizinhança.
Olha, eu não agüento mais, esta foi a última vez que você apronta uma destas. Você está louco, completamente louco e eu vou lhe internar num hospício. Você vai ver.
Maurinha, o que é isto... você sabe que eu a amo.
Que ama nada. Vamos embora, me dá aqui a chave do carro, eu dirijo.
Maurinha me perdoa. Maurinha eu a amo...Maurinha... você é tudo pra mim, você é  a mãe do meus filhos eu...eu...não faça isto, não deixe que eles me levem..não...não...camisa de força não Maurinha...Maurinha, não! Maurinha...Maurinha...Maurinhaaaaaaaa.



AUTOR: EDISON RODRIGUES PAULINO




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