domingo, 26 de dezembro de 2010

ADEUS ANO QUE PASSOU, FELIZ ANO QUE CHEGOU

Adeus  Ano que passou'
Adeus ano que nos acolheu, com nossas
Famílias e nossos amigos.
Adeus ano que passou e nos suportou com nossas
Fraquezas e nossas angústias.
Adeus grande amigo.
Adeus companheiro de jornada.
Adeus ano que passou.
Adeus ano que nos melhorou.
E também nos renovou.
Adeus a tudo que nos causou sofrimento.
Saudades de tudo que nos fez sorrir.
Adeus ano que nos levou vidas preciosas.
Adeus ano que chorou conosco e nos abraçou com carinho.
Obrigado por nos dar vida nova.
Tchau ano que nos encheu de esperanças.
Tchau doce ano que nos encheu de carinhos.
Obrigado pelo grande abraço.
Obrigado por nos ensinar a sorrir.
Desculpe-nos por as vezes chorar conosco.
Adeus ano que passou e obrigado  por tudo,
Desculpe-nos por alguma coisa que lhe desagradamos.
Olá ano novo.
Novo porque está chegando.
Nos receba em seus braços e nos leve através do tempo
Nos encha de carinho, assim como o que passou nos acarinhou.
Nos dê tudo que sempre lhe pediremos e o que sempre pedimos.
Adeus ano que passou.
Feliz ano que está chegando.
Felicidade também para todos nós
Felicidade também para todos os nossos.
Felicidade enfim, para todos.
 
AUTOR: EDISON RODRIGUES PAULINO

sábado, 27 de novembro de 2010

O MENDIGO E O LOBISOMEM APAIXONADO (SÍNTESE)

Cidão dobrou a esquina, entrou na Rua dos Rouxinóis e andou mais uns cinquenta metros antes de avistar um objeto estranho caído, do outro lado da rua, encostado ao meio fio. Parou. Mesmo cansado, não conseguiu vencer a curiosidade e andou até lá. Chegando perto, curvou o corpo e rapidamente apanhou o objeto caído. Era um sapato.
―Uhnn, tá novinho, é marrom e é chique também! Pensou enquanto virava e revirava o sapado como se estivesse olhando uma coisa rara.
Olhou em volta, depois caminhou para todos os lados tentando achar o outro par e nada. De qualquer jeito embrulhou-o junto com seus cobertores e continuou andando até dobrar a outra esquina, na Pintassilgos.

Enquanto isso no edifício que ficava bem em frente ao lugar onde o Cidão encontrara o sapato de um pé só, no terceiro andar, Ricardo que morava no apartamento 301, estava aflito. Já procurara exaustivamente, em baixo dos móveis, dentro dos armários, do guarda roupas, até dentro do fogão procurara e, nada. Ele se postou na porta do quarto e ficou pensativo, puxando pela memória, para ver se conseguia lembrar onde colocara o outro par de sapatos.
O gato miou bem embaixo da janela, e neste momento ele se lembrou. Num pulo só, alcançou a janela do quarto e olhou para baixo, não enxergando nada.

Finalmente se lembrara. Aquele gato chato estava miando sem parar na janela do seu quarto. Estava apressado e neste meio tempo aparece o gato na janela miando alto, um miado estridente que o deixou irritado. Não teve dúvidas, pegou o sapato e atirou no gato, acertando-o em cheio. Ele caiu e conseguiu se agarrar à janela do apartamento logo  abaixo, mas o sapato sumira.
Livre daquele animal horrível que lhe aparecera não se sabe de onde, somente para azarar sua noite, continuou a se vestir. Encontrou a camisa nova, amarela, que era a sua cor preferida. Já a gravata era marrom com detalhes vermelhos, quase imperceptíveis. Estava perfeito. Agora que vestira as meias, faltavam-lhe os sapatos e, foi daí que começou o seu suplício.
O edifício era separado da rua, pela calçada e por um muro alto. Em baixo das janelas, tinha um gramado também pouco extenso, uns dois metros no máximo. Se o sapato tivesse caído ali, poderia ser visto de cima. Não caíra no jardim, então só poderia estar na rua.
Ricardo desceu correndo as escadas do prédio, até o térreo. Colocou o chinelo para segurar a porta de entrada, pois na pressa esquecera as chaves.
Quando chegou à rua não percebeu Cidão, quebrando a esquina, e entrando na Rua dos Pintassilgos. Procurou por todos os lados onde previra que o sapato caíra e nada. Sentou-se junto ao meio fio e ficou ali por alguns minutos, com as mãos cobrindo o rosto e pensando em como iria agora à festa de aniversário da Rosana, filha do gerente da empresa onde trabalhava.
. Era estranho mesmo. O que fazia aquele homem de terno, sentado junto ao meio fio, e sem sapatos?

O gerente o convidara por que sabia que ele e sua filha estavam começando um relacionamento e fazia muito gosto que os dois namorassem. Havia, porém outro candidato à namorado da Rosana que era o Vicente.
O Vicente era um cara chato, pegajoso, que vivia contando piadas de mau gosto das quais somente ele achava graça.
Mas, o Vicente não se fazia de rogado, ainda dava em cima da filha do gerente mesmo a contragosto deste.

Ricardo levantou-se e cabisbaixo, voltou para o apartamento. Sentado na cama pensou no azar que aquele gato lhe trouxera.
―E agora, como vou à festa? Joguei os sapatos velhos no lixo depois que comprei estes novos, e a esta hora da noite não vou vasculhar a lixeira para procurá-los. Estou mesmo é encrencado. 10e 20. Estou atrasado. O Vicente já deve estar azarando minha garota. Eu tenho que ir, de qualquer jeito. Ela não é minha garota ainda, mas tem tudo pra ser. Não posso perder para aquele chato.. Já sei. Pegou o telefone e ligou.

―Aló, respondeu do outro lado.
―Edu?
―Sim, é ele. Ricardo?
―Sou eu mesmo. Cara, ainda bem que você não saiu, preciso de um favorzão seu.
Me empresta os seus sapatos?
―Emprestar os meus sapatos? E como eu vou fazer para sair? Onde estão os seus?
―Rapaz, é meu emprego que está em jogo. Só você pode me ajudar agora. Tó contando com a sua amizade.
Silêncio total.
―Alô, alô, Edu? Você ainda está ai?
―Olha, cara vou quebrar o seu galho, por duzentas pratas.
―O que? Duzentos reais? Isto é roubo! Você é ou não é meu amigo?
―Eu estou precisando de duzentos reais, você tem que ir à festa. Negócio fechado?
―Tá bom, tá bom! Tô passando aí. Me espere.
Já no carro indo para o apartamento do Edu ele pensava.

O outro rapaz era um pouco mais baixo, portanto os sapatos eram menores. Ficaram apertadíssimos. Mas valia o sacrifício. Era pelo amor da Rosana.
Desceu as escadas do edifício com aqueles sapatos lhe apertando os pés.

Enfim, chegou. Foi recebido com muita festa pelo Neres que logo o colocou nos braços da filha. Chegara enfim sua tábua de salvação. A música era convidativa. Sentou-se para conversar com a quase futura namorada em uma mesa, quando o Vicente se aproximou e a convidou para dançar.
O momento foi tenso, ela olhou para ele com um ar de interrogação.
―Vou? Parecia perguntar.
A mão do outro ainda estava estendida quando ele finalmente entendeu a expressão de desespero da menina. Então se levantou rapidamente:
―Espera ai, amigo, esta dança é minha.
O Vicente observava tudo. Quando finalmente eles se sentaram e ele observou que o outro estava sofrendo por causa dos sapatos apertados, esperou até que  os tirasse para poder se aproximar e convidar a moça para dançar.
Chegou sorrateiramente, pegou a mão da moça e a convidou para dançar. Ricardo até que tentou evitar, mas os seus pés se atrapalharam com os sapatos que ele não conseguia achar debaixo da mesa.

O pai da menina espumava de raiva, na cadeira ao lado e Ricardo evitava encará-lo. Olhava pelos cantos dos olhos e via que estava perdendo terreno para o outro.
No salão todos queriam dançar com a aniversariante, mas sempre ela voltava para os braços do Vicente.
Em dado momento o Neres não agüentou e falou:
―E aí, cara! Você vai me deixar nesta roubada? Você vai perder pra aquele cara de pau? Eu me enganei com você? Hein!?
Quando os dois se sentaram o pai da moça não suportou ficar olhando para homem que ele considerava um perdedor e se afastou com a desculpa de ir ao banheiro.
Do outro lado do salão de festas, o rival olhava tudo, preocupado.
―O que será que aqueles dois tanto conversam. Preciso dar um jeito de separar este casalzinho. Não posso perder para aquele cara, justo agora que estava tudo dando certo para mim.

Ricardo caminhou cabisbaixo para a porta de saída. Deu uma última olhada para trás e percebeu o Vicente se dirigindo para sua amada. Quis voltar, mas os pés estavam muito doloridos, não agüentou.
Saiu desanimado:
―Puxa! Perdi minha garota e ainda vou ter que pagar duzentos reais para o Edu.
Tudo isto para nada. Pensava enquanto andava até o carro. E tem mais ainda, vou perder meu emprego. Do jeito que o Neres estava furioso... Não vou nem aparecer segunda- feira no escritório. Depois passo lá para pegar minhas coisas.

Ali, parado ao lado do carro, olhou o céu todo iluminado, e viu lua branca e brilhante bem em cima do edifício onde morava o seu chefe, era lua cheia, passava um pouco da meia noite,  pensou:
―É noite de lobisomem... Eu bem que poderia ser um agora. Invadiria aquela festa arrebataria minha amada e estrangularia o Vicente sob o olhar atônito dos convidados. O Neres ia ter um infarto.
Antes de entrar no carro, colocou as mãos em concha na boca em forma de trombone  e uivou bem alto com toda a força dos seus pulmões:
―AAUUUUUUUUUUUUUuuuuuuuuuuuuuu...
Lá dentro do salão, como o barulho era alto, ninguém escutou nada, os vizinhos também não, mas um calafrio percorreu o corpo das pessoas. Descendo pela nuca, se espalhou pelo corpo todo, deixando  o couro cabeludo esticado e os pelos dos braços eriçados. As pessoas se olharam sem entender nada.  Os cachorros sim, estes escutaram e se assustaram. Alguns mais afoitos correram para os portões e latiram em resposta, outros se esconderam bem no fundo de suas casinhas.

Chegando em casa, guardou o carro e subiu as escadas com os sapatos na mão e os pés doloridos. Já dentro do apartamento, se preparando para dormir, avistou o outro pé de sapato bem em cima do travesseiro. Pensando em todo o transtorno que tivera por causa daquele gato, e da perda do outro pé, foi até a janela e jogou o sapato o mais longe que pode. Esperou até que ouviu o barulho do baque na rua, depois colocou de novo a cabeça bem para fora do quarto pela janela e soltou de novo aquele mesmo e medonho uivo de instantes atrás.
―AAUUUUUUUUUUUUUuuuuuuuuuuuuuu...
Então como que com a alma lavada, deitou-se para dormir. Virou-se contra a janela e não percebeu as luzes dos outros apartamentos acenderem, as janelas se abrirem e algumas pessoas olhando para fora, procurando de onde teria vindo aquele grito horrível.
Cidão por sua vez, chegou ao lugar onde sempre fazia sua cama para dormir, armava alguns papelões, estendia um cobertor e se cobria com o outro.
Este lugar, refúgio de Cidão e Isa, era embaixo da passarela da Rua dos Beija-Flores. Tinha uma árvore ao lado onde às vezes ele armava uma rede, e se chovia colocava uma corda entre a árvore e a coluna da passarela fazendo um telhado com plásticos e papelões.
A Isa ainda não chegara. Estava demorando. Mas era assim mesmo. Já estava acostumado com ela. Algumas noites ela bebia demais e dormia onde caísse. Ela sabia que ele não demoraria para ir buscá-la, onde ela estivesse caída.  Levantá-la-ia do chão e a conduziria cambaleante até o refugio deles, junto à passarela.

Ele conhecia bem a história da mulher que era sua companheira há tantos anos na rua.
Já o Cidão fora trabalhador até o dia em que jogou o patrão de cima da laje de um prédio.
Desde este dia ele não mais se empregou. O homem não morreu e ele também nunca mais quis ser empregado. Estava revoltado. Assim, foi para as ruas.
Isa vinha um pouco cambaleante naquela noite, parava, se sentava um pouco junto ao meio fio, tomava um pouco de coragem, dava um impulso e andava mais um pouco. Passando em frente ao apartamento de Ricardo sentiu alguma coisa cair junto ao seu corpo bem no exato momento em que se sentava na calçada, passou a mão em direção ao barulho e pegou alguma coisa, era um sapato. Neste momento também escutou o uivo alucinante que vinha do edifício em sua frente. Ela não se abalou nem um pouco. Com o sapato enfiado na mão direita, se aprumou, empurrou o corpo para cima, ficou ereta e andou. Virou a esquina e foi se encontrar com o Cidão que já se preparava para ir buscá-la onde ela estivesse caída.
Ela foi chegando, cambaleando e caiu bem nos braços dele. Então ele a colocou para dormir na cama que tinha preparado horas antes. Quando ela se deitou, ele reparou no sapato que trazia. Descalçou a sua mão e verificou que aquele sapato era par do outro que achara antes.
Enquanto ela dormia, ele imaginava os dois chegando ao reggae. Ela com aquele vestido indiano que ganhara na semana passada. Camisa e calça ele já tinha, estava faltando os sapatos. Agora já estavam completos. Ela era mais  cuidadosa, sempre tinha uma sandalhinha guardada para uma ocasião destas.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

JESUS CRISTO

Um dia, saiu a luz,
pouca luz.
No barulho perdido,
só pouco tempo
no infinito ficou.
Parou no fraco abraço,
chorou e implorou amor,
calor e paz.
Mais um pouco de luz,
bem longe,
um caminho mostrou.
Distante num olhar de ternura
seguiu num sorriso
os olhos de todo o mundo.
E de esperança os corações
transbordaram.
A fé brotou, ramificou e
espalhou frutos.
Então sim, toda luz saiu
e abraçou a dor
de todo mundo.
Levou amor, beijou.
Num doce vagar sorriu,
a todos viu.
A passo largo
na longa estrada
de muito andar,
bem de perto amparou
os passos de todo mundo.
E, com doçura,
a todos amou,
por todos morreu.
Então, a vida transbordou.
O amor do seu peito jorrou.
Uma nova estrada e 
um novo jeito de amar,
a todos presenteou.


AUTOR:EDISON RODRIGUES PAULINO

sábado, 23 de outubro de 2010

UM MUNDO SEM HOMENS.

Imagine um mundo só de mulheres.
Elas não teriam a quem disputar;
não teriam genros para atormentar;
não teriam por quem resmungar;
não teriam filhos para amamentar;
nem um braço forte para abraçá-las;
não teriam de quem fofocar;
não teriam razão para serem rivais.
Ah, que paz seria o mundo,
sem a mulher
a berrar no ouvido do homem;
a instigá-lo; a atormentá-lo;
as cabeças não mais rolariam;
e as mulheres passeando, 
de mãos dadas pelo parque,
olhando a lua, que romântico.
Ah, um mundo sem homens, 
quanta maçã para dividir.
Eva sozinha no paraíso,
barriga grande de tanto
comer do fruto proibido,
debaixo da macieira
sem ninguém para dividir.
A serpente entediada sem ninguém para infernizar,
emburrada:
―Por que Deus não fez primeiro o homem?
―Essa aí só pensa em comer.
―Desse jeito ninguém vai ser expulso daqui.
―O mundo vai ser um tédio só.
―Essa gordona comilona e eu aqui,
sem ninguém para infernizar.
Ah, que tédio esse mundo sem homens.
Você  mulher,
pense bem ao resmungar,
imaginar ,
um mundo sem homens.
Ah! Que tédio.

(obs: isto tudo é uma brincadeira, o mundo só tem graça
por causa da beleza, em todos os sentidos,  da Mulher.)
AUTOR: EDISON RODRIGUES PAULINO

quinta-feira, 14 de outubro de 2010


Toda aquela gente,
rosto colado ao chão,
preces eleva
bem alto aos céus,
pra alguém de lá escutar.

A multidão olha pro mar,
que calmo,
nada ouvindo,
joga, tão brando,
ondas na praia.

As preces,
mais altas agora,
e o som se propaga
por todo o oceano.

Do céu então,
um trovão se faz ouvir,
e um clarão, no horizonte,
ofusca os olhos desta gente.

As águas do mar
se agitam,
logo se acalmam;
as vozes se calam
e os corações se precipitam.

As gaivotas revestem de branco,
o sol doira,
o céu muito azul
emoldura o espetáculo.

Tudo emudece
e adora,
espera,
palpita,
desfalece...


Um murmúrio agoniza
no intimo suplicante
de cada ser que balbucia...

Aceita...Senhora...

E os barquinhos vão
velejando sozinhos.
Vão tangidos pelo vento,
impelidos para o mar,
envoltos na espuma das águas.

É o pão de um
de cada dia.
É o sangue,
é a esperança
desta gente,
que vão,
tragados pelo mar,
aceitos por “IEMANJÁ


AUTOR: Edison Rodrigues Paulino





quinta-feira, 7 de outubro de 2010

QUIETUDE

É  tarde,
bem tarde.
O sol se esconde
cá do seu lado.
A lua pula
e quer atravessar,
escureceu,
anoiteceu.

Os corações
se enluvam
na noite do amor,
do amor
inspirado na lua,
há pouco virgem,
sussurrado
ao ouvido enamorado.

Murmureja sonolenta
a fonte,
desperta pelos
cantores noturnos.
A rua embala
o sono das casas
e, as calçadas
cuidam.


Autor – Edison Rodrigues Paulino

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

ANDANTE NOTURNO

Aqui vou,
submerso em mim,
indigente no tempo,
estendendo o coração;
mendigo da vida,
carente de amor,
levando pelos caminhos,
a esmo maltrapilho,
este corpo molambudo;
abjeto de todos.
Andante noturno,
peregrino das sombras,
ando e resvalo
a procura de luz
por veredas imundas,
coberto de escárnio.
Esmolando um sonho
repleto de amor,
assim me vou
buscando lonjuras;
retirante, levando
um delírio imbecil
num sorriso idiota
desses lábios sofridos...

AUTOR: EDISON RODRIGUES PAULINO

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

ANDARILHO

Sondando, eu vou buscar:
No caminho a seguir,
a luz do iluminar,
os conselhos de aceitar,
as mãos de amparar.
No céu aberto,
as nuvens do precaver,
a lua do bem pensar.
E, na vaga sombra,
penumbra de entristecer,
o sol de alegrar.

Caminhando então,
um pedaço do mundo,
pra poder percorrer,
vou levando comigo.
Se alguém perguntar,
um pedaço do mundo
sempre posso mostrar.

Pequenino eu vou,
pés descalços no chão,
neste chão que é meu,
ferindo a terra,
rasgando o espaço
e o vento que sopra
meu corpo pequeno.

Pequeno,
sou carente.
Ente, sou gente.
Com Karma ou sem,
sou presente sou real.


Um olhar de ternura
no caminho que vou
suplicante eu peço.

AUTOR:EDISON RODRIGUES PAULINO


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

PARANÓIA

Quando estacionei meu carro em frente à garagem de casa e olhei para o relógio me espantei com o horário. Eram 16:15. Achei estranho. Não me lembrava porque estava ali tão cedo. Normalmente saía do escritório por volta das 18:00 horas quando não havia muito trabalho e, o mais estranho era que eu estava abarrotado de trabalho, atolado até o pescoço.
Um branco total, isso era o que tinha me acontecido. Como vim parar aqui a esta hora? Por mais que me esforçasse não me lembrava.
Como estava nesta situação, resolvi não colocar o carro na garagem, deixando-o do lado de fora mesmo, estacionado bem em frente de casa. Entrei e, tudo estava em silêncio, lembrei-me então que as crianças estavam na casa de Dona Jacira, minha sogra.
Procurei por Maura, minha esposa, mas não a encontrei, não estava também no quintal.
Estranho, cheguei cedo e minha esposa não se encontrava em casa, onde será que ela estava? Sentei-me no sofá da sala e senti alguma coisa me cutucando por baixo da almofada, passei a mão e peguei alguma coisa. Ora, era o celular dela. Ela saíra sem celular.Havia uma mensagem gravada. A pressa foi tanta que Maura esqueceu de apagar a mensagem, que ainda estava gravada. Não fazia muito tempo que saíra e a mensagem gravada dizia:
MEU BEM! TE ESPERO NO SHOPPING. 17:00 HORAS - BEIJOS
Meu Deus então é isto, minha chegada mais cedo foi providencial. Com quem ela iria se encontrar? Eu preciso ver isto; 17: 00 horas  no shopping. Porque ela está fazendo isto comigo? Nós vivemos tão bem! Eu lhe dou amor e carinho. Como é falsa. E diz que me ama. Preciso ver isto, preciso ver isto.
Oh! Meu Deus, que loucura, estou perdido, como vou viver sem ela? Mas também não quero mais saber dela. Droga porque ela foi fazer isto?  Maura você está me traindo? Está? Com quem? Quem é este safado, que lhe chama de meu bem e ainda manda beijos? Quem?
Eu preciso saber quem é. Não agüento esta ansiedade. Faltam 20 minutos para as 17:00 horas. Tive uma idéia, vou ficar de tocaia e ver com quem ela vai se encontrar, aí pego os dois de uma vez só. Será que vou ter coragem?
Preciso de um disfarce. Ainda bem que não joguei fora aquele casacão que meu tio deixou quando passou uma temporada conosco, há mais de seis anos. Vou tirar o chapéu de palha velho que usei nas últimas festas juninas e o bigodinho postiço do casamento caipira do ano retrasado. Estava perfeito, era uma mistura de Carlito e Jack o extirpador, ninguém me reconheceria.
Nossa! Faltam 15 minuto para as 17:00 horas, preciso correr, o Shopping não é longe, no caminho vou planejando como agir. Tenho que chegar devagar, não posso ser visto, apesar do meu disfarce perfeito.
Não consigo imaginar minha mulher me traindo. Tudo estava tão bem entre nós. O que será que deu nela para fazer isto? Será que eu me esqueci dela com esta correria de trabalho? Mas, ela nunca reclamou; ao contrário sempre me incentivou. Vai ver que me incentivava para ficar livre e poder me trair tranqüila. Besta! Ta vendo o que dá trabalhar demais!
Bem cheguei. Vou me esconder atrás destes carros grandes; daqui posso ver bem o movimento na entrada do Shopping. Será o cara já chegou? Quem será ele? Será um conhecido? Daqui pra frente todo mundo vai me chamar de chifrudo. Lá vai o chifrudo! Por que você fez isto Maurinha? Eu vou ficar marcado pro resto da vida. 17:05... e nada ainda. Cheguei atrasado? Não, não, olha ela lá, está olhando para o relógio, o cara está atrasado. Cuidado, se esconde ela está olhado para cá, mas é claro que não vai me reconhecer, bobagem a minha, o meu disfarce é perfeito.
Chiii, rapaz! Ela cruzou os braços, está impaciente. Olha lá, olha lá! Está batendo os pezinhos, este é um mau sinal, ela está furiosa. O cara se atrasou... coitado, não conhece a Maurinha; quando ela fica furiosa... sai de baixo.
Ela entrou. Vou esperar um pouco. Saiu de novo... olhou para o meu lado. Entrou de novo. Eu estou seguro. O que ela foi fazer lá dentro? Está demorando... será que o cara estava lá? Puxa... ela está demorando o que....ai, aiaiai...  o que é isto?
Seu idiota, seu maluco...estúpido!
O que, o que? Eu não estou entendendo nada? De onde você saiu?
Ah, não está entendendo nada, seu burro? Então você marca comigo na porta do Shopping às 17:00 horas em ponto...me deixa esperando e depois vem pra cá com esta idiotice toda. O que é que você está pensando, hein? Sua besta quadrada!
Mas... Maurinha era só uma brincadeira. Como foi que você me reconheceu? O meu disfarce era perfeito...
Eu não seu onde estou que não encho sua cara de porrada... seu louco, doente mental, seu... seu...
Esta fantasia idiota está mais manjada do que a do zorro. Você usa esta porcaria em toda a festa e em toda a brincadeira que se faz lá em casa ou na vizinhança.
Olha, eu não agüento mais, esta foi a última vez que você apronta uma destas. Você está louco, completamente louco e eu vou lhe internar num hospício. Você vai ver.
Maurinha, o que é isto... você sabe que eu a amo.
Que ama nada. Vamos embora, me dá aqui a chave do carro, eu dirijo.
Maurinha me perdoa. Maurinha eu a amo...Maurinha... você é tudo pra mim, você é  a mãe do meus filhos eu...eu...não faça isto, não deixe que eles me levem..não...não...camisa de força não Maurinha...Maurinha, não! Maurinha...Maurinha...Maurinhaaaaaaaa.



AUTOR: EDISON RODRIGUES PAULINO




quarta-feira, 15 de setembro de 2010

PÂNICO

Neste dia ou mais precisamente, neste fim de tarde, tudo parecia dar errado. A gaveta da minha mesa caiu duas vezes, os papéis se esparramaram pelo chão do escritório, e o ventilador conspirava contra mim. Definitivamente todos eram conspiradores de carteirinha. Não deveria ter saído de casa...como se isto fosse possível.
Eu me tornei escrava do meu trabalho, e às vezes me sinto prisioneira dentro desta sala, sendo observada por todos eles, conspiradores sorrateiros, que me espreitam de dentro da lata do lixo, disfarçados no barulho do ventilador e até mesmo na ponta do meu grafite.
Parece que tudo começou quando liguei para minha vizinha, a Melissa. O serviço no escritório estava atrasado; havia um projeto para entregar e o cliente me pressionava, então tive a infeliz idéia de pedir para que ela pegasse o meu filho no colégio. Somos grandes amigas.
Tiago, meu marido, viajara a serviço. Era a primeira vez que isto acontecia, talvez essa fosse a razão do meu nervosismo.
A Melissa é a mãe do Maurício, que estuda na escolinha com o Jonas meu filho, e o marido dela o Rodolfo, trabalha na mesma empresa que eu. Eles não são da mesma turma, mas quando estão em casa são inseparáveis, ambos têm a mesma idade, cinco anos, com diferença de meses. Liguei também para a escola e falei com a diretora. Mas, coração de mãe é coração de mãe e, alguma coisa me apertava o peito e me deixava inquieta. As notícias de seqüestro de crianças pululavam em minha mente.
Tudo parecia muito seguro, mas a ansiedade me dominava e me estressava.
Era um sentimento novo, e imaginava como se sentiam as mães de filhos seqüestrados e, meu pânico aumentava mais.
Pensava que alguém pudesse ter ouvido meu telefonema e se antecipado à Melissa. Será que havia uma escuta dentro do ventilador, na lixeira? Oh! Meu telefone estava grampeado. A diretora da escola talvez tivesse se esquecido da avisar à professora e agora o Jonas estava sendo levado para longe, talvez para a Europa, o Japão...
Com este pensamento saí do escritório no final do expediente, tropecei no cesto de lixo e não caí, porque me amparei na parede.
Olhei para trás e tive a impressão que alguém me observava, meu coração acelerou mais ainda. Apertei o botão do elevador e ele se abriu imediatamente com se estivesse me esperando. O vulto que aparecera no final do corredor agora se avolumava correndo em minha direção. A porta do elevador se fechou e ele ficou para trás.
Corri para o estacionamento, sempre com o coração apertado, a imagem do meu filho, gritando e estendendo os bracinhos para mim, não saía da minha cabeça. Isto me angustiava mais ainda.
Liguei o carro e me lembrei de fazer uma oração, pedir a Deus ajuda neste momento de angústia.
Quando saí do estacionamento ainda consegui ver pelo retrovisor aquele vulto com um boné azul cobrindo parte do rosto entrando num carro vermelho. Olhei para frente, na rua o trânsito era intenso, acelerei e pensei em não me apavorar.
Ao dobrar a primeira esquina pude ver o carro vermelho saindo do estacionamento, quis correr, mas os carros a minha frente estavam lentos e meu coração se precipitou mais ainda.
― Jonas meu filho, a mamãe está indo...
Imaginava seu sofrimento, gritando mamãe o tempo todo.
Meu Deus, a Melissa o pegou no colégio e o levou para casa é claro, e agora estavam os dois brincando e pulando no sofá da sala. Como eram sapecas estes dois. Tinham que ser dois homens? Se fossem meninas talvez não fossem tão travessas.
No percurso para casa tinha que passar em frente ao colégio, mas tudo parecia deserto naquela hora e o retrovisor me mostrou aquele carro vermelho. Parecia muito claro que estava me seguindo. Será que era um dos seqüestradores? E agora que fazer?
Como a rua estava deserta dobrei a esquina tentando fugir. Em vão, quando começava dobrar à direita, outra vez visualizei aquele carro fazendo as mesmas manobras que eu.
Precisava raciocinar rápido, estava longe de casa e o percurso era cheio de curvas, entrei numa esquina e logo dobrei à esquerda, não vi mais o meu seguidor, logo adiante virei rapidamente também à esquerda e a rua era um pouco longa, mas quando entrei de novo à direita me senti aliviada, o carro vermelho não mais me seguia ou era o que parecia. Este não era o caminho normal para casa, era um pouco mais longo, só um pouco, mas eu chegaria lá. Estava dirigindo muito rápido, precisava tomar cuidado.
Meus pensamentos se voltaram para Jonas, será que ele estava bem, será que estará em casa me esperando; seu rostinho lindo não me saia da memória.
Estava perto de casa, faltavam pouco mais de 50 metros meu coração acelerava quando de súbito, saindo de uma esquina, do lado contrário eis que surge ninguém mais que o carro vermelho, freei bruscamente o carro, meu coração se precipitou, minha vista escureceu, fiquei estarrecida. Aquela cor parecia se avolumar por todas as direções. Estava perdida. De súbito pensei em meu filho. Lentamente, tudo foi aos poucos se clareando. O carro vermelho estava lá, parado em frente à casa de Melissa, ela e os dois meninos estavam parados em frente ao portão, eles brincavam como sempre.
Aquele era o gol vermelho do Rodolfo e eu sempre detestei aquele boné azul...
Minha vontade foi de atirar o celular na... meu Deus o celular...


AUTOR: EDISON RODRIGUES PAULINO